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Produção de grãos e carne aumentará 37% até 2020

O agronegócio brasileiro está se armando de projeções e de tecnologia para colher mais lucros e ampliar sua atual liderança mundial. A ascensão de mais 1 bilhão de consumidores, sobretudo asiáticos, além das pressões por maior eficiência ambiental e das restrições dos competidores diretos, devem proporcionar, até 2020, um crescimento de 37% na produção brasileira de grãos e carnes.

Estudo divulgado ontem pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento revela avanço nos próximos dez anos dos 23 principais produtos agrícolas do país, com destaque para açúcar (etanol) e proteína animal. Basicamente 75% da expansão se dará por aumento da produtividade e ligeira ampliação de áreas, geralmente via incorporação de pastagens e terras degradadas.

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, lembra que a produção rural do Brasil vem crescendo de forma sustentada nas últimas três décadas, a uma taxa anual média de 4%, o dobro da economia. Ele destaca a capacidade que o setor tem de se recuperar de um ano para outro de quedas substanciais de produção, causadas por fatores climáticos, garantindo uma curva crescente na média. "Com a tendência de alta nos preços das commodities agrícolas nos próximos anos e a possibilidade de intensificar as extensões irrigadas, sobretudo no centro-oeste, o agronegócio vai aproveitar as oportunidades do mercado", disse.

Vida longa

Um dos fatores pouco considerados e que terão importante impacto na demanda global, lembra Stephanes, é o aumento geral da expectativa de vida. "O mundo só agora começa a despertar para o desafio da segurança alimentar", comentou. Prova disso, segundo ele, são os baixos estoques de grãos nos países desenvolvidos, geralmente com alcance de dois a três meses. "Estamos recebendo consultas de todas as partes do mundo sobre nossas projeções, o que revela uma crescente preocupação com o abastecimento do mercado agrícola e reconhecimento do papel estratégico do Brasil", acrescentou José Garcia Casques, coordenador da pesquisa.

Conforme a pesquisa realizada pela Assessoria de Gestão Estratégica (AGE) do ministério, o contexto futuro levará a safra brasileira de grãos a crescer 36,7%, passando das atuais 129,8 milhões de toneladas (2009) para 177,5 milhões em 2020. O acréscimo de 47,7 milhões de toneladas reflete a escalada do milho, que atingiria 70,12 milhões de toneladas anuais, ante 50,97 milhões do ano passado. A soja, por sua vez, partiria de 57,09 milhões para chegar a 81,95 milhões de toneladas.

Sob forte influência da preocupação ambiental, óleo de soja e celulose terão saltos expressivos, puxados pelos mercados interno e externo de biocombustíveis e de madeiras de florestas artificiais, em substituição às nativas. Em termos regionais, as melhores projeções apontam para a produção de milho e soja no Mato Grosso, que deve crescer no período 94,3% e 55,6%, respectivamente.

Data: 05/03/2010 09:11

Fonte: Brasil Econômico - SP

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